Review | His Dark Materials – 1ª Temporada

Baseada na trilogia homônima de Philip Pullman, com a primeira temporada focando no primeiro livro (A Bússula de Ouro) a série conta a história de Lyra (Dafne Keen), uma jovem garota que está destinada a libertar seu mundo das garras do Magisterium, que reprime os laços das pessoas com a magia e seus espíritos animais, conhecidos como daemons.

Meu Contexto

Eu li os livros logo após começar a ver a série, então vou usar esse conhecimento para avaliar a série como um produto independente e também como uma adaptação (Inclusive estou bolando um texto sobre uma teoria que tenho sobre o fim da saga)

Impressões Gerais

His Dark Material é visualmente deslumbrante. Em uma história onde temos deamons, que são seres em forma de animais que representam a alma dos humanos, Ursos de armadura e Zeppelins, é muito importante que esses elementos sejam representados com efeitos minimamente aceitáveis e na série, eles encantam. Tanto os Ursos como os deamons são muito realistas ao mesmo tempo que possuem expressões quase humanas (fica a dica Rei Leão).

A abertura da série também é um ponto a ressaltar. Apesar de lembrar a abertura de Game of Thrones um pouco demais para o meu gosto (infelizmente GoT será um fantasma assombrando as produções de fantasia por muito tempo ainda), ela consegue contar a boa parte da história da trilogia de Pullman de uma forma que só é possível perceber se você já conhece a história. A música tema composta por Lorne Balfe também caiu como uma luva, setando o tom com maestria.

Algo que incomoda durante a primeira temporada, que irei abordar mais elaboradamente nos próximos tópicos, é a indecisão da série em como tratar cenas violentas. Há momentos em que ela consegue muito bem passar uma mensagem de violência sem exatamente mostrar muita coisa (creio que devido a quererem manter a classificação indicativa baixa), porém em outros momentos His Dark Materials falha miseravelmente, deixando um grande vazio na série.

Atuações

Se existe um casting perfeito, é o de His Dark Materials. Todas as atrizes e atores caíram perfeitamente em seus papéis. Ruth Wilson dá uma camada muito mais perturbadora para a Sra. Coulter, conseguindo expressar muito bem a dualidade da personagem, fazendo com que você sinta, ódio, pena, medo e acolhimento, tudo por uma mesma personagem.

Dafne Keen que já havia arrasado como Laura em Logan, agora consegue encarnar perfeitamente a rebeldia e esperteza de Lyra, entregando uma atuação que não deve em nada para os seus colegas mais experientes.

Outra coisa que me agradou foi a diversidade de casting. A Saga His Dark Materials têm dois personagens principais, Lyra e Will que já foi introduzido nessa temporada, mas devemos ver mais dele na próxima. O ator Amir Wilson (fofíssimo) que interpreta Will, é negro. Temos outros personagens negros ao longo da série que não são caricatos e que não são negros pois “o plot precisava” e sim por uma escolha normal de casting como normalmente ocorre com atores brancos.

Há uma cena em que vemos dois personagens negros conversando (coisa rara na televisão, principalmente em fantasia), um sendo o vilão, um Lord poderoso do Magisterium e outro uma mãe extremamente fragilizada. Dois tipos de personagem que há muito tempo eu não via serem dados a atores negros, muito menos dividindo a tela.

Violência

His Dark Materials tem um pouco de medo de representar cenas de violência. O que não é um problema quando sabe se adaptar a isso. Jessica Jones, por exemplo, é uma série com poucas cenas explicitamente violentas, porém com muita violência implícita. Na maioria das vezes a série consegue se sair bem em mascarar algumas violências, como suavizando a morte de crianças em determinados momentos.

Porém o momento onde falha com primor é na batalha de ursos no episódio “To Fight to the Death” (Lutar até a morte). A batalha é o principal do episódio e um dos pontos altos da história no livro, porém ela dura segundos, tendo o seu principal momento escondido do espectador pois a personagem que está sendo nossos olhos, vira o rosto em um momento crucial.

Isso não só é um anticlímax inacreditável quando se está assistindo, pois tudo no episódio parecia culminar para aquele momento épico, como é um mini agressão ao material original que enfatiza que nesse momento a personagem em questão não desviou o olhar para honrar uma das partes envolvidas na batalha. Eu senti mais emoção lendo essa batalha do que assistindo.

Esse fator é preocupante, pois os próximos que livros que servirão como fonte para as próximas temporadas trazem cenas ainda mais pesadas e temas considerados tabu até hoje. Não sei se a série de TV terá coragem de seguir na mesma direção, o que seria uma pena.

Adaptação

His Dark Materials em geral é uma ótima adaptação, os nomes dos episódios são capítulos dos livros o que traz uma proximidade muito legal para quem já leu. A série também sabe o momento de fazer mudanças, como por exemplo, nos livros as feiticeiras usam um galho para voar (?) na série elas simplesmente voam, o que convenhamos é uma ideia bem melhor.

A série também aproveitou essa temporada para introduzir personagens do segundo livro, facilitando e muito a vida deles na segunda temporada e para resolver um mistério extremamente tosco do livro logo de cara. Também soube deixar coisas muito importante pré estabelecidas para a próxima temporada, mostrando conhecer o material que está adaptando.

Minha única ressalva realmente foi a batalha de ursos que comentei acima, nunca achei que ia ficar mais impressionada lendo uma batalha do que assistindo ela.

Considerações Finais

His Dark Materials tem tudo para ser uma série de extremo sucesso, mas precisa tomar cuidado com seu medo de subir a classificação indicativa ou trabalhar melhor em formas de transformar violência explícita em implicita sem trair o material original e nem perder o tom da série.

Onde Assistir?

Nota:

Avaliação: 4 de 5.

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